O boto-cor-de-rosa é um golfinho de água doce adaptado a um ambiente que muda de forma radical ao longo do ano. Tem bico longo com muitos dentes, olhos pequenos e, ao contrário dos golfinhos marinhos, vértebras cervicais não fundidas — o que permite virar a cabeça de lado. Essa flexibilidade é útil para caçar entre troncos, raízes e vegetação submersa.
A cor varia com a idade e a atividade: filhotes tendem a ser acinzentados e adultos ficam mais rosados, tom que se intensifica quando o animal está agitado e o fluxo de sangue aumenta perto da pele. A nadadeira dorsal é baixa e alongada, mais parecida com uma quilha do que com a barbatana triangular dos golfinhos oceânicos.
Na cheia, o boto entra na floresta alagada e caça em meio às árvores, usando ecolocalização para se orientar onde a visão é praticamente inútil. É um predador de topo em rios amazônicos e ocupa lugar central em histórias e mitos da região. Essa proximidade cultural convive com um problema concreto: o conflito com a pesca.