O lobo-guará é o maior canídeo sul-americano, mas não é um lobo verdadeiro nem uma raposa: ocupa um ramo próprio da família Canidae. A silhueta é inconfundível, com pelagem avermelhada, crina escura no dorso e pernas desproporcionalmente longas. Essas pernas funcionam como uma torre de observação natural, permitindo enxergar acima do capim alto do Cerrado.
A dieta é claramente onívora e varia com a estação. A fruta da lobeira ocupa parte importante do cardápio e o animal a dispersa por longas distâncias. O restante vem de pequenos roedores, aves, tatus, insetos e répteis capturados com bote rápido. É solitário na maior parte do tempo: o casal divide território, mas costuma caçar separado, e a comunicação à distância se dá por um latido grave e repetido.
Sua presença depende de mosaicos abertos e conectados. Como o Cerrado é um dos biomas mais convertidos do Brasil, o lobo-guará passou a circular por plantações e pastagens, o que aumenta atropelamentos em rodovias, contato com cães domésticos e transmissão de doenças. Em muitas regiões, o animal é visto com desconfiança por criadores, embora ataques a rebanhos sejam pouco frequentes.