O mico-leão-dourado é um primata pequeno com pelagem alaranjada intensa e uma juba que emoldura o rosto — daí o nome. Vive em grupos familiares que se deslocam pelo estrato médio da floresta, usando as mãos alongadas para vasculhar bromélias e frestas de casca em busca de insetos. Costuma dormir em ocos de árvore, o que torna as árvores velhas um recurso essencial para o grupo.
A espécie é endêmica da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro, um dos trechos mais fragmentados de floresta do país. Isso significa que ela não existe naturalmente em nenhum outro lugar do mundo. Nascimentos gemelares são comuns e todo o grupo participa do transporte dos filhotes, comportamento típico dos calitriquídeos.
O mico-leão-dourado se tornou o rosto da conservação brasileira porque sua recuperação foi construída com reintrodução, translocação de grupos isolados, reflorestamento de corredores e trabalho contínuo com proprietários rurais. O resultado mostrou que fragmentos pequenos ganham valor quando são reconectados, mas também que o progresso é frágil: doenças, atropelamentos e novos desmatamentos podem desfazer décadas de esforço.